Editorial: Eleições de 2028 já começaram em Parnaíba, e Florentino pode ter dado um golpe certeiro nas pretensões de Francisco Emanuel

A vitória de Ronaldo Prado mantém um aliado histórico de Florentino Neto no comando da Câmara e levanta dúvidas sobre a capacidade de articulação política do grupo de Francisco Emanuel.

por Bruno Santana

A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Parnaíba deixou uma mensagem que vai além da escolha de quem comandará o Legislativo no biênio 2027/2028. O resultado recoloca as alianças políticas no centro do debate e abre espaço para uma pergunta inevitável: a disputa pela Prefeitura em 2028 já começou a ser construída dentro da Câmara?

A mesma chapa que havia vencido a eleição de agosto, posteriormente anulada pela Justiça, voltou a conquistar a presidência, agora com Ronaldo Prado eleito novamente. A decisão judicial corrigiu irregularidades no procedimento anterior, mas a nova votação manteve o desfecho político: Ronaldo continuará à frente da chapa vencedora.

É nesse contexto que o nome de Florentino Neto ganha relevância. Aliado histórico de Ronaldo, o deputado federal não reeleito tem uma trajetória que inclui a Prefeitura de Parnaíba, a vice-prefeitura, secretarias municipais e estaduais e o mandato na Câmara dos Deputados. Caso confirme a intenção de voltar a disputar a Prefeitura em 2028, encontrará um cenário em que a construção de alianças e a presença de interlocutores no Legislativo podem ter importância estratégica.

Isso não significa que Florentino tenha comandado a articulação que levou à vitória de Ronaldo. Não há, até aqui, elementos públicos suficientes para afirmar isso. Mas a relação política entre os dois torna inevitável observar o que essa vitória pode representar para os próximos movimentos da política local.

A falsa sensação de controle

O episódio também levanta questões para o grupo do prefeito Francisco Emanuel. Batista do Catanduvas havia afirmado que era o nome escolhido pelo prefeito para presidir a Câmara. Depois de obter na Justiça a anulação da eleição de agosto, disse que voltaria a conversar com Emanuel para saber se ainda contava com seu apoio.

O resultado dessas conversas não foi confirmado publicamente. Na nova votação, Batista e outros quatro vereadores que o apoiavam não compareceram. Além disso, o parlamentar anunciou que pretende protocolar um pedido de renúncia à liderança do governo na Câmara.

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Os motivos para a ausência e para a renúncia anunciada ainda precisam ser esclarecidos. Mesmo assim, a sequência de acontecimentos expõe uma questão política relevante: qual é a capacidade real do Executivo municipal de manter alinhados os vereadores que integram sua base?

Na política, apoio declarado e influência efetiva não são necessariamente a mesma coisa. Uma vitória eleitoral também não significa que todas as lideranças que contribuíram para ela estejam sob controle de um único grupo. Vereadores têm bases próprias, interesses específicos e relações construídas ao longo de anos.

Subestimar essa dinâmica pode custar caro. E acreditar que o resultado das urnas garante, por si só, o domínio permanente das articulações políticas é uma forma perigosa de confundir força eleitoral com poder de negociação.

A maratona de 2028

Florentino Neto conhece a administração pública e a política de Parnaíba há décadas. Francisco Emanuel, por sua vez, exerce pela primeira vez um cargo político. Essa diferença de trajetória não determina quem terá sucesso em 2028, mas ajuda a compreender por que a disputa municipal não deve ser analisada apenas a partir dos acontecimentos imediatos.

A política exige paciência, alianças e capacidade de interpretar movimentos que nem sempre produzem efeitos instantâneos. A eleição da Câmara pode ser apenas um episódio isolado, mas também pode se tornar uma referência para compreender como os grupos locais começam a reorganizar suas posições para a próxima disputa municipal.

Por enquanto, não há como afirmar que o cenário de 2028 esteja definido. Há, porém, sinais suficientes para que as lideranças políticas deixem de tratar a eleição da Mesa Diretora como uma disputa sem consequências para o futuro.

Na política, o problema não é apenas perder uma batalha. É descobrir tarde demais que o adversário já está se preparando para a próxima guerra.

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Da Redação do Tribuna de Parnaíba

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