Depois do rompimento político entre o prefeito Francisco Emanuel e o grupo Mão Santa, uma série de deputados e lideranças passou a aparecer com muito mais frequência na cidade.
Vieram anúncios, vieram emendas, vieram obras (?). vieram fotografias, vieram alianças, e tudo isso pode ser muito bom para Parnaíba. Aliás, deveria ser.
Mas uma pergunta continua na minha cabeça: Por que agora?
Parnaíba já estava crescendo
Entre 2017 e 2024, Parnaíba viveu uma transformação que qualquer pessoa que acompanha a cidade consegue perceber.
Construção civil, loteamentos, mercado imobiliário, novos negócios, empregos, empresas chegando. Uma cidade que passou a despertar interesse de quem queria investir.
Não estou dizendo que tudo isso aconteceu por causa de uma única gestão. Seria absurdo.
Mas também não dá para fingir que oito anos de administração municipal não fazem parte dessa história. E é justamente por isso que me preocupa a forma como estamos olhando para esta eleição.
Porque parece que, de repente, precisamos acreditar que o futuro de Parnaíba depende exclusivamente de políticos que descobriram a cidade justamente quando precisam do voto dela. Será?
Obra não é favor
Eu não sou contra deputado trazer recursos.
Muito pelo contrário, Parnaíba precisa de investimentos, precisa de obras.
Precisa de representantes capazes de buscar recursos e defender os interesses da cidade.
Mas existe uma diferença entre representar Parnaíba e precisar dos votos de Parnaíba.
E essa diferença deveria interessar ao eleitor.
⚠️ Porque obra anunciada não é obra entregue.
⚠️ Emenda anunciada não é investimento realizado.
⚠️ Fotografia ao lado de uma máquina não é resultado.
O Hospital Universitário, por exemplo, tinha obras em andamento e acompanhamento oficial da UFDPar em junho deste ano. Já o Piscinão ainda era apresentado pelo Governo do Estado, em setembro, como uma obra que começaria nos dias seguintes. E até agora…
A revitalização da Avenida Pinheiro Machado também chegou ao período eleitoral em meio à execução da obra. E parou…
E é justamente aí que está o ponto. Não basta anunciar. É preciso entregar.
O cidadão precisa olhar para além do palanque.
Precisa perguntar quanto foi investido, quanto foi executado, qual é o prazo, quem fiscaliza e, principalmente, se aquilo continuará existindo depois que as urnas forem fechadas.
E quem está pedindo o nosso voto?
Essa talvez seja a pergunta que mais deveria ser feita.
Não basta conhecer a promessa. É preciso conhecer o histórico.
Rubens Vieira, ex-prefeito de Cocal e hoje deputado estadual, é um dos nomes que passaram a buscar espaço político em Parnaíba ao lado do prefeito Francisco Emanuel. Investigado na Operação Escamoteamento, que apurou desvio de recursos públicos, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e uso de empresas fantasmas ou emissão de notas fiscais frias. O esquema envolvia prefeituras municipais (como Cocal e Buriti dos Lopes), além de empresários e agentes políticos da região. Os prejuízos aos cofres públicos estimados inicialmente chegavam a dezenas de milhões de reais.
Júnior Percy, ex-prefeito de Buriti dos Lopes, também se aproximou do atual grupo político de Parnaíba. Seu nome aparece em diferentes processos no Tribunal de Contas do Estado. Entre eles, há uma tomada de contas especial sobre irregularidades na execução de contrato de 2021, enquanto outro processo de 2026 trata de questionamentos sobre acumulação de remunerações públicas.
Na disputa para deputado federal, estão Florentino Neto e Jadyel Alencar.
Os dois se tornaram réus em ação penal relacionada a supostas irregularidades em contratações de materiais para o combate à Covid-19. A denúncia do MPF envolve alegações de contratações sem licitação, sobrepreço e outros problemas nas compras realizadas durante a pandemia. Em 2026, o TRF1 determinou o desmembramento da ação.
E aqui é importante fazer uma pausa.
Processo não é condenação. Acusação não é culpa.
Todo acusado tem direito à defesa e ao devido processo legal.
Mas conhecer esses fatos também faz parte do exercício de escolher quem receberá um mandato.
A pergunta, portanto, não é se devemos condenar alguém antes da Justiça.
A pergunta é muito mais simples:
o eleitor parnaibano está conhecendo suficientemente bem quem está pedindo o seu voto?
Porque promessa todo mundo pode fazer. Uma fotografia qualquer político pode tirar. Uma obra pode ser anunciada. Mas histórico não se constrói em época de eleição.
E depois do dia 4?
Depois da eleição, as bandeiras serão recolhidas.
Os carros de som vão desaparecer.
Os palanques serão desmontados.
As fotografias de campanha perderão espaço.
E muitos dos políticos que hoje aparecem por aqui voltarão para seus gabinetes.
Nós continuaremos aqui.
O comerciante continuará aqui.
O trabalhador continuará aqui.
O empresário continuará aqui.
O jovem continuará procurando oportunidades aqui.
A cidade continuará aqui.
É por isso que talvez a pergunta mais importante desta eleição não seja:
“O que esse político está prometendo para Parnaíba?”
Talvez seja:
“Quem continuará preocupado com Parnaíba quando não precisar mais do meu voto?”
Porque eleição acaba.
Mandato também.
Mas a cidade fica.
E a conta das nossas escolhas também.
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Da Redação do Tribuna de Parnaíba
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