Editorial | Gracinha paga o preço do protagonismo que assumiu nas eleições

por Bruno Santana

A decisão da Justiça Eleitoral que condenou a deputada estadual Gracinha Mão Santa ao pagamento de multa por conduta vedada durante as eleições de 2024 precisa ser compreendida para além do aspecto jurídico.

Sim, houve condenação! Mas é preciso destacar que, na prática, foi o reconhecimento de um fato político evidente: “o protagonismo da deputada ao longo de todo o processo eleitoral”.

A própria sentença é clara ao registrar:

“É incontroverso que a investigada Maria das Graças de Moraes Souza Nunes, deputada estadual, apoiou ativamente a candidatura de Francisco Emanuel Cunha de Brito à prefeitura de Parnaíba nas eleições de 2024. Também é fato que, no período próximo ao pleito, ocorreram diversos eventos públicos e privados no município com a participação e o protagonismo da referida deputada. A instrução processual, contudo, permite avançar para além dos pontos incontroversos. De fato, foi demonstrada a utilização eleitoreira e explícita da imagem da Deputada Gracinha Mão Santa no período da campanha eleitoral, em favor do candidato por ela apoiado.”

Não se trata, portanto, de uma interpretação política isolada. Trata-se de um reconhecimento expresso nos autos: a deputada esteve no centro da dinâmica eleitoral.

Durante a campanha, sua presença foi constante. Participou de eventos, mobilizações e ações públicas, assumindo diretamente o papel de liderança em um processo eleitoral intenso e altamente competitivo.

Esse nível de envolvimento, agora, também explica o desfecho judicial.

Ao reconhecer a irregularidade, a Justiça não apontou fraude, e nem corrupção na eleição. Pelo contrário: afastou qualquer gravidade capaz de comprometer o resultado do pleito.

Ainda assim, a sanção recai sobre quem esteve na linha de frente.

Nos bastidores, a leitura é direta: quanto maior o protagonismo político, maior o grau de exposição e, consequentemente, maior o risco.

A decisão evidencia exatamente isso. A multa aplicada não é apenas uma penalidade jurídica, mas um reflexo do papel ativo assumido durante a campanha.

Em outras palavras, trata-se do custo político de quem não se omitiu.

O episódio revela, com clareza, uma característica marcante da política: os que lideram processos eleitorais são também os que mais se expõem às suas consequências.

E é justamente nesse ponto que a decisão deixa de ser apenas jurídica para se tornar simbólica.

Porque, no fim, o que está em julgamento não é apenas uma conduta específica, mas o peso do protagonismo em um cenário onde poucos assumem riscos e muitos se beneficiam deles.

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Da Redação do Tribuna de Parnaíba

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