A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Parnaíba para o biênio 2027/2028, realizada na noite desta quinta-feira (06), entrou para a história da atual legislatura como uma das sessões mais conturbadas já registradas no Legislativo municipal. O que deveria ser apenas a escolha da futura direção da Casa acabou marcado por discussões acaloradas, acusações entre parlamentares, sucessivas intervenções da Polícia Militar para evitar confrontos físicos e, ao final, pela saída de cinco vereadores antes do encerramento da votação.
O clima de tensão começou ainda antes da abertura da votação.
Na quarta-feira (05), o presidente da Câmara, vereador Daniel Jackson, surpreendeu alguns dos próprios colegas ao publicar um edital convocando a eleição da Mesa Diretora para o dia seguinte. A decisão contrariou a expectativa criada por declarações anteriores do próprio presidente, que havia sinalizado que a eleição poderia ocorrer até dezembro e, em outras ocasiões, somente após as eleições estaduais.

A mudança de rumo provocou forte reação entre vereadores que defendiam uma candidatura diferente daquela que acabou sendo registrada.

Apesar das articulações de bastidores, apenas uma chapa foi inscrita dentro do prazo estabelecido, encabeçada pelo vereador Ronaldo Prado. Embora integrante da base governista, Ronaldo é reconhecido por manter proximidade política com o deputado federal Florentino Neto, fator que ampliou as disputas internas no grupo político que dá sustentação ao governo municipal.
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Antes mesmo da votação começar, o vereador Batista do Catanduvas apresentou recurso questionando o procedimento adotado para a realização da eleição. O pedido foi analisado pela Comissão de Legislação e Justiça, que opinou pela improcedência, levando ao arquivamento da matéria. Posteriormente, durante a sessão, Daniel Jackson informou ainda que a Justiça havia indeferido o pedido liminar apresentado em mandado de segurança, autorizando a continuidade do processo eleitoral.

Presidente da Comissão de Legislação e Justiça, vereador Marcos Samarone
O primeiro discurso de forte contestação veio justamente de Batista do Catanduvas. Ao justificar seu voto, classificou a eleição como “uma verdadeira aberração” e criticou a rapidez com que o processo foi conduzido. O vereador afirmou ainda que havia sido indicado pelo prefeito Francisco Emanuel para disputar a presidência da Câmara, mas decidiu não registrar chapa, alegando falta de condições diante da forma como a eleição foi organizada.

O ambiente se deteriorou durante a fala da vereadora Fátima Carmino.
Enquanto a parlamentar justificava seu voto, uma discussão entre os vereadores Ruan Benício e Geraldo Alencar elevou a temperatura da sessão. Os ânimos ficaram tão exaltados que foi necessária a intervenção da Polícia Militar para impedir que o confronto verbal evoluísse para agressões físicas entre os parlamentares.

Momentos depois, um novo tumulto ocorreu quando o sistema de som da Câmara foi desligado durante a fala do vereador Ruan Benício por ultrapassar o tempo regimental de dois minutos destinado à justificativa de voto. A medida provocou a reação do ex-vereador Gerivaldo Benício, pai do parlamentar, que discutiu com servidores da Casa e precisou ser contido, novamente com o chamamento da Polícia Militar, diante da possibilidade de retirada do plenário caso a situação não fosse controlada.



O discurso mais contundente da noite foi feito pelo vereador Maksuel Brandão. Da tribuna, o parlamentar fez duras críticas ao presidente Daniel Jackson, a quem chamou de “traidor”, além de levantar acusações sobre a condução do processo eleitoral e mencionar supostas irregularidades relacionadas ao funcionamento da Câmara. O pronunciamento também teve o áudio interrompido após o tempo regimental, mas o vereador continuou falando sem utilizar o sistema de som da Casa. As declarações foram feitas pelo parlamentar durante a sessão e não representam fatos comprovados nesta reportagem.

Na sequência, o vereador David Soares também criticou a convocação da eleição. Segundo ele, o edital não teria sido informado previamente aos vereadores no grupo oficial da Câmara, sustentando que o procedimento adotado contrariou a prática regimental da Casa. Assim como os demais parlamentares, teve o microfone desligado ao ultrapassar o tempo previsto para a justificativa de voto.
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Após concluir sua manifestação, David Soares deixou o plenário acompanhado pelos vereadores Maksuel Brandão, Samara do Estevão, Batista do Catanduvas e Ruan Benício, todos contrários à realização da eleição naquele momento.


Mesmo diante das contestações e do ambiente de forte tensão, a votação foi concluída com os 19 vereadores. A chapa única liderada por Ronaldo Prado foi eleita para comandar a Câmara Municipal de Parnaíba no biênio 2027/2028, recebendo votos favoráveis da maioria dos parlamentares, além de votos contrários e abstenções dos vereadores que contestavam a realização da eleição.


Na sequência, a Câmara também elegeu, em chapa única, a nova Corregedoria da Casa, formada pela vereadora Francisca das Chagas Castelo Branco Neta como corregedora e pela vereadora Maria de Fátima Carmino Pereira Dourado como corregedora substituta. Com a ausência dos cinco vereadores que haviam deixado o plenário, a chapa foi aprovada por unanimidade entre os parlamentares presentes, encerrando uma das sessões mais tensas da história recente do Legislativo parnaibano.

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Da Redação do Tribuna de Parnaíba
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