Uma adolescente precisando de atendimento urgente, familiares sem conseguir contato pelo número 192 e uma ambulância “social” utilizada para levá-la ao hospital. O caso ocorrido nesta sexta-feira (05), em Parnaíba (que poderia ter teminado em tragédia), levanta questionamentos sobre o funcionamento da rede de urgência e emergência do município.
Segundo relato dos familiares, a jovem apresentou episódios de desmaio e alterações nos batimentos cardíacos, típicos de uma arritimia grave (taquicardia e bradicardia), alternando momentos de consciência e inconsciência. Diante da gravidade da situação, a família tentou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) por meio do número 192, mas afirma não ter conseguido atendimento.
Em busca de ajuda, os familiares recorreram ao vereador Zé Filho Caxingó, que também é fisioterapeuta. De acordo com o parlamentar, ele se deslocou até o local onde estava a adolescente, avaliou a situação e também tentou contato com o SAMU pelo número oficial, sem sucesso.
Sem conseguir atendimento pelo canal de urgência, foi solicitado apoio à rede municipal de saúde, que enviou uma ambulância “social” para realizar o transporte da paciente até o Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), onde ela recebeu atendimento especializado.
Estrutura da ambulância gera questionamentos
O episódio ganhou repercussão após a divulgação de imagens e relatos sobre as condições do veículo utilizado no transporte.
De acordo com o vereador, que acompanhou a jovem dentro da ambulância até o hospital, a viatura não possuía equipamentos de monitoramento de sinais vitais nem equipe especializada para atendimento pré-hospitalar. Também foram levantados questionamentos sobre as condições estruturais do veículo, incluindo sistema de climatização e equipamentos de sinalização.
Outro ponto que chamou a atenção foi o fato de a ambulância manter características visuais associadas ao SAMU, embora não integre oficialmente a frota operacional do serviço de urgência.
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Secretaria afirma que não houve chamado registrado
Após a repercussão do caso, o secretário municipal de Saúde utilizou as redes sociais para informar que não existe registro de solicitação de atendimento do SAMU relacionado à ocorrência.
A declaração, porém, contrasta com os relatos da família e do vereador, que afirmam ter tentado contato pelo número 192 durante a emergência.
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Além disso, registros públicos mostram que, em outras ocasiões, o próprio serviço já divulgou comunicados informando problemas temporários no funcionamento do número 192, orientando a população a utilizar números alternativos para contato.
Perguntas que ainda aguardam respostas
O caso levanta uma série de questionamentos de interesse público:
- O número 192 estava funcionando normalmente no momento da ocorrência?
- Por que não houve registro do chamado relatado pela família?
- Por qual motivo uma ambulância social foi utilizada para transportar uma paciente em situação descrita como urgente?
- Quais são as condições estruturais oferecidas aos pacientes transportados nesses veículos?
- Por que ambulâncias que não pertencem mais à frota operacional do SAMU continuam caracterizadas visualmente como veículos do serviço?
- E se a família não tivesse em sua rede de contatos um vereador do município, seria socorrida?
Mais do que um episódio isolado, o caso mostra a necessidade urgente de um debate sobre a capacidade de resposta da rede de urgência e emergência de Parnaíba diante de situações em que cada minuto pode ser decisivo para preservar vidas.
A reportagem permanece aberta para receber esclarecimentos da Secretaria Municipal de Saúde, da coordenação do SAMU e demais órgãos envolvidos.
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Da Redação do Tribuna de Parnaíba
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