HU-UFPI amplia transplantes inéditos no Piauí e reduz necessidade de tratamento fora do estado

por Bruno Santana

Hospital universitário consolida serviço de alta complexidade pelo SUS e passa a atender casos ortopédicos graves com mais agilidade

O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/HU Brasil) está ampliando a realização de transplantes de tecido musculoesquelético pelo Sistema Único de Saúde (SUS), consolidando um serviço ainda pouco disponível no país e que reduz a necessidade de pacientes buscarem tratamento fora do estado.

A iniciativa dá continuidade às ações iniciadas em 2024, quando a unidade passou a integrar a rede nacional habilitada para esse tipo de transplante, em parceria com o Instituto Nacional de Ortopedia e Traumatologia (INTO). Com novos procedimentos programados, o hospital fortalece sua atuação no atendimento a pacientes com perdas ósseas, falhas articulares e outras condições ortopédicas complexas.

Segundo o cirurgião de quadril do HU-UFPI, Bruno Moura, os transplantes representam uma alternativa decisiva para pacientes com poucas opções terapêuticas.

“Muitos desses pacientes acabam sendo encaminhados para tratamento fora do estado. Com a ampliação do serviço, conseguimos oferecer essa assistência aqui, com mais rapidez”, explica.

Um dos pacientes beneficiados pelo procedimento é o trabalhador rural José Viana de Sousa, de 57 anos, que desde jovem atua na agricultura familiar, lidando com atividades de esforço físico intenso. Ele relata que as lesões tiveram origem em quedas e no desgaste ao longo dos anos.

Recentemente, José passou por cirurgia no HU-UFPI e destaca a evolução no quadro clínico.

“Hoje, com poucos dias de cirurgia, já me sinto muito melhor. Foi um atendimento humano e dedicado”, afirma.

Esta foi a terceira cirurgia do paciente. Segundo ele, o procedimento realizado no HU trouxe uma nova perspectiva. “Já sinto melhora no meu dia a dia e tenho confiança de que terei uma boa recuperação”, completa.

De acordo com o cirurgião de quadril do HU-UFPI, Antonio Nunes, o paciente havia sido submetido a uma prótese de quadril ainda em 2001, mas evoluiu com desgaste do implante e perda de sustentação óssea ao redor da prótese.

“Após avaliação clínica e exames de imagem, identificamos que a prótese estava solta, comprometida e associada a uma perda importante de estrutura óssea. Esse tipo de complicação pode ocorrer ao longo dos anos e costuma causar dor, limitação dos movimentos e impacto significativo na qualidade de vida”, explica.

Segundo o médico, diante da gravidade do caso, foi realizada uma cirurgia de revisão da prótese de quadril associada a transplante ósseo, com o objetivo de reconstruir a área afetada e devolver estabilidade à articulação. “O procedimento foi realizado com sucesso”, completa.

Após anos convivendo com dores e limitações, o acesso ao tratamento no próprio estado representou uma mudança significativa para o paciente.

O serviço já realizou procedimentos recentes e mantém agenda de cirurgias, com perspectiva de expansão progressiva, conforme o planejamento assistencial da unidade.

De acordo com o especialista, o alinhamento com o INTO foi essencial para viabilizar a oferta. “Com a organização desse fluxo e o acesso aos tecidos, conseguimos estruturar uma linha de cuidado e dar continuidade ao atendimento desses pacientes”, afirma.

A ampliação reforça o papel do HU-UFPI como referência regional em média e alta complexidade e representa um avanço no acesso da população a tratamentos especializados pelo SUS.

Os transplantes musculoesqueléticos são indicados em casos como revisões de próteses, tumores ósseos, deformidades e lesões ligamentares complexas, contribuindo para recuperação funcional e melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

Parceria

A realização dos transplantes ocorre por meio de articulação entre o Instituto Nacional de Ortopedia e Traumatologia (INTO) e o HU-UFPI/HU Brasil, com intermediação da Central Estadual de Transplantes, representante do Sistema Nacional de Transplantes no Brasil. O INTO é responsável pela captação, processamento e envio dos tecidos, além de contribuir com suporte técnico contínuo e visitas presenciais de sua equipe.

Após a liberação, o material é transportado por via aérea até o Piauí e armazenado em equipamento ultrarefrigerado no HU-UFPI, garantindo condições adequadas para os procedimentos.

“Cada solicitação é feita de forma individualizada, de acordo com a necessidade do paciente. Em muitos casos, são cirurgias de revisão de prótese associadas à perda óssea, em que utilizamos tecido ósseo para reconstrução e implantação de uma nova prótese”, completa o cirugião Bruno Moura.

Sobre a HU Brasil

O HU-UFPI faz parte da HU Brasil desde 2012. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência.

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Da Redação do Tribuna de Parnaíba / imagem de capa ilustrativa

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