Hantavírus Andes: há risco de uma nova pandemia? Entenda o cenário atual

por Bruno Santana

Casos recentes ligados à cepa Andes reacenderam o debate internacional sobre o hantavírus, mas autoridades sanitárias afirmam que não há sinais de um cenário semelhante ao da covid-19

O aumento da atenção internacional em torno do hantavírus, especialmente da chamada cepa Andes, tem provocado dúvidas e preocupação em diversos países após a divulgação de casos recentes ligados a viajantes que passaram pela região da Patagônia, entre Argentina e Chile.

Apesar da gravidade da doença e da alta taxa de mortalidade associada ao vírus,  autoridades sanitárias reforçam que, neste momento, não há sinais de risco iminente de uma pandemia semelhante à covid-19.

A cepa Andes é considerada uma das variantes mais conhecidas do hantavírus porque possui uma característica rara: além da transmissão por roedores silvestres, ela também já apresentou registros limitados de transmissão entre humanos em situações muito específicas.

Ainda assim, epidemiologistas afirmam que o comportamento do vírus continua bastante diferente do coronavírus que provocou a pandemia mundial em 2020.

O que é o hantavírus?

O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores silvestres infectados. A contaminação humana normalmente acontece quando a pessoa respira partículas presentes em:

  • fezes;
  • urina;
  • saliva de ratos silvestres.

📸 Wikipedia

Os casos costumam ocorrer em áreas rurais, locais fechados há muito tempo, galpões, celeiros, acampamentos ou regiões de mata. Na América do Sul, a cepa Andes circula principalmente na Argentina e no Chile.

Por que a cepa Andes chama tanta atenção?

A principal diferença da cepa Andes em relação a outros hantavírus é que ela possui registros comprovados de transmissão entre pessoas.

No entanto, essa transmissão ocorre de forma limitada, geralmente envolvendo:

  • contato muito próximo;
  • convivência prolongada;
  • ambientes fechados;
  • exposição intensa a secreções respiratórias.

Até hoje, os surtos documentados permaneceram pequenos e controláveis.

Segundo autoridades internacionais de saúde, não existe evidência atual de transmissão fácil e rápida entre humanos como ocorreu com a covid-19.

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Quais são os sintomas?

Os sintomas iniciais podem se parecer com uma gripe forte:

  • febre;
  • dores musculares;
  • cansaço intenso;
  • dor de cabeça;
  • náuseas.

Em alguns pacientes, a doença evolui rapidamente para complicações pulmonares graves, causando falta de ar e necessidade de internação em UTI.

Por isso, o diagnóstico precoce é considerado fundamental.

Casos recentes colocaram o vírus novamente em destaque

Nas últimas semanas, autoridades sanitárias internacionais passaram a monitorar casos relacionados a passageiros de um navio de expedição que esteve na região sul da América do Sul.

As investigações identificaram infecções compatíveis com a cepa Andes, o que fez o tema ganhar repercussão mundial e gerar comparações precipitadas com a covid-19 nas redes sociais.

Organizações internacionais, porém, pedem cautela diante das especulações:

  • o hantavírus não possui o mesmo nível de transmissibilidade do coronavírus;
  • surtos costumam ser localizados;
  • as cadeias de transmissão geralmente são rastreáveis;
  • não há indícios atuais de disseminação global descontrolada.

Existe risco no Brasil?

O Brasil registra casos de hantavírus há vários anos, principalmente em regiões rurais e áreas de cerrado.

Os estados com registros mais frequentes incluem:

  • Mato Grosso;
  • Goiás;
  • Minas Gerais;
  • Paraná;
  • Santa Catarina;
  • Rio Grande do Sul.

Até o momento, a cepa Andes permanece mais associada à região andina da América do Sul.

As autoridades brasileiras seguem monitorando a situação por meio da vigilância epidemiológica.

Como prevenir?

As recomendações seguem simples e eficazes:

  • evitar contato com roedores silvestres;
  • manter alimentos armazenados corretamente;
  • limpar ambientes fechados com cuidado, sem levantar poeira;
  • usar proteção em limpezas de locais suspeitos;
  • procurar atendimento médico em caso de sintomas após exposição rural.

⚠️ Informação responsável

Embora o hantavírus seja uma doença séria e potencialmente grave, pesquisadores alertam que o excesso de alarmismo pode gerar desinformação e medo desnecessário.

O consenso científico atual é de que a cepa Andes merece vigilância constante, mas não apresenta, neste momento, comportamento compatível com uma pandemia global nos moldes da covid-19.

A orientação das autoridades sanitárias é acompanhar informações oficiais e evitar conteúdos sensacionalistas que circulam nas redes sociais.

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Da Redação do Tribuna de Parnaíba

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