Kit de sobrevivência para 72 horas: por que a Defesa Civil está orientando brasileiros a se preparar?

Recomendação ganhou repercussão nas redes sociais e levantou dúvidas sobre possíveis ameaças. Orientação é preventiva e busca preparar famílias para situações de emergência, não indicar uma catástrofe iminente.

por Bruno Santana

Uma recomendação da Defesa Civil Nacional para que os brasileiros mantenham em casa um kit de emergência com suprimentos suficientes para até 72 horas (três dias) chamou a atenção nas redes sociais e levantou uma pergunta: existe algum motivo especial para essa orientação neste momento?

A resposta é importante: a recomendação é real, mas não significa que o Brasil esteja diante de uma ameaça de guerra, apagão nacional ou desastre iminente.

A orientação faz parte das medidas permanentes de prevenção e preparação para situações de emergência. A proposta é permitir que as famílias tenham condições de atender às necessidades básicas caso enfrentem interrupções temporárias no fornecimento de água, energia elétrica, comunicação ou abastecimento de produtos essenciais.

Em situações de grandes proporções, como enchentes, tempestades, incêndios e outros desastres, estradas podem ficar bloqueadas e equipes de socorro podem encontrar dificuldades para chegar rapidamente a determinadas comunidades.

É nesse cenário que entra a recomendação das 72 horas.

Por que exatamente 72 horas?

O período de três dias representa uma janela inicial de autonomia para que as famílias consigam se manter enquanto os órgãos responsáveis organizam o atendimento e a resposta à emergência.

Isso não significa que um desastre necessariamente durará três dias ou que o socorro só chegará depois desse período.

A ideia é evitar que as pessoas fiquem completamente dependentes de serviços externos nas primeiras horas de uma crise.

A recomendação tem relação com o risco de uma guerra?

A pergunta não é sem fundamento. Em março de 2025, a Comissão Europeia lançou a Estratégia da União de Preparação, estabelecendo como objetivo que a população europeia tenha condições de manter sua autonomia por pelo menos 72 horas em situações de emergência.

A iniciativa considera diferentes ameaças, entre elas conflitos geopolíticos, ataques cibernéticos, sabotagens de infraestruturas essenciais, pandemias e desastres naturais.

A guerra entre Rússia e Ucrânia e o aumento das tensões internacionais contribuíram para que os países europeus ampliassem suas políticas de preparação civil.

Entretanto, a estratégia não se limita a cenários militares. O objetivo é preparar a população para qualquer situação capaz de comprometer serviços essenciais.

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O que deve conter um kit de emergência?

A recomendação é organizar os itens de acordo com o número de pessoas e as necessidades específicas de cada família.

Entre os principais produtos estão:

  • Água potável: referência de dois litros por pessoa por dia, totalizando seis litros para três dias.
  • Alimentos: produtos não perecíveis, como biscoitos, barras de cereais, frutas secas e enlatados.
  • Iluminação: lanternas e pilhas extras.
  • Comunicação: rádio a pilhas e carregador portátil para celular.
  • Saúde: medicamentos de uso contínuo e materiais de primeiros socorros.
  • Higiene: sabonete, escova e creme dental, papel higiênico e outros produtos essenciais.
  • Documentos: cópias protegidas de documentos pessoais.
  • Dinheiro: uma pequena reserva em espécie para situações em que sistemas eletrônicos de pagamento não funcionem.

Famílias com crianças pequenas, idosos, pessoas que dependem de medicamentos e animais de estimação também devem considerar suas necessidades específicas.

E o Brasil, está diante de algum risco extraordinário?

Até o momento, a recomendação divulgada pela Defesa Civil não representa um alerta de emergência nacional nem uma previsão de acontecimento extraordinário.

O próprio órgão esclareceu que a orientação tem caráter preventivo e faz parte do trabalho de conscientização sobre autoproteção.

Isso não significa que o assunto deva ser ignorado. O Brasil está sujeito a diferentes tipos de desastres, como enchentes, deslizamentos, incêndios florestais e eventos climáticos extremos, que podem comprometer temporariamente a infraestrutura e o atendimento à população.

Para os moradores do litoral do Piauí, por exemplo, a preparação também pode ser útil diante de situações como chuvas intensas, alagamentos e interrupções no fornecimento de energia e água.

Preparação não é motivo para pânico

A recomendação das 72 horas precisa ser compreendida pelo que realmente é: uma medida de prevenção.

Não há motivo para compras desesperadas, formação de estoques exagerados ou disseminação de mensagens alarmistas.

Ter água, alimentos, medicamentos e equipamentos básicos disponíveis pode fazer diferença em uma emergência, independentemente de sua origem.

A orientação é simples: estar preparado não significa esperar que uma catástrofe aconteça, mas evitar que uma situação inesperada encontre a família completamente despreparada.

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Da Redação do Tribuna de Parnaíba

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