Após demora no socorro, morte de morador levanta questionamentos sobre capacidade de resposta do SAMU em Parnaíba

Possível emergência cardíaca mobilizou familiares, vizinhos, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros; caso reacende debate sobre a estrutura de atendimento de urgência na cidade

por Bruno Santana

Uma emergência médica registrada na tarde desta terça-feira (09), no Conjunto Joaz Souza, em Parnaíba, terminou em tragédia e deixou uma pergunta que ultrapassa os limites daquela residência e ecoa por toda a cidade: o que acontece quando alguém precisa de socorro urgente e todas as ambulâncias estão ocupadas?

A vítima, um homem na faixa dos 40 anos, sofreu um possível infarto dentro de casa por volta das 17h. A partir daquele momento, familiares e vizinhos iniciaram uma corrida contra o tempo para tentar salvar sua vida.

Segundo relatos obtidos pela reportagem da Tribuna de Parnaíba, as primeiras tentativas de contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) 192 não tiveram sucesso. Diante do desespero, moradores buscaram ajuda por outros meios, acionando o Corpo de Bombeiros e até mesmo a Polícia Militar.

A resposta recebida, porém, foi a de que ocorrências dessa natureza exigem atendimento especializado do SAMU.

Quando finalmente conseguiram contato com a central de regulação, os moradores receberam a informação de que as três ambulâncias disponíveis naquele momento estavam empenhadas em outras ocorrências. Ainda segundo os relatos, foi orientado que a vítima fosse levada por meios próprios até uma unidade de saúde.

Enquanto aguardavam a chegada de ajuda especializada, familiares perceberam que o homem já não apresentava sinais vitais. Sem treinamento técnico, mas movidos pela esperança de salvar uma vida, iniciaram manobras de massagem cardíaca por conta própria.

Infelizmente, os esforços não surtiram efeito.

⏰ A ambulância do SAMU chegou ao local por volta das 18h20, aproximadamente uma hora e vinte minutos após o início da emergência, conforme registros fotográficos feitos pela própria reportagem da Tribuna de Parnaíba.

A equipe médica constatou o óbito no local.

Viatura da Polícia Militar acompanhou equipe de socorro

A ambulância chegou acompanhada por uma viatura da Polícia Militar.

Pessoas presentes relataram que a medida teria sido adotada diante da preocupação com uma possível reação dos familiares em razão da demora no atendimento. Apesar da revolta e da profunda tristeza, não houve qualquer registro de agressão contra os profissionais de saúde.

O clima no local era de consternação, indignação e questionamentos.

Caso surge dias após debate sobre falta de ambulâncias

O episódio ocorre poucos dias após uma discussão pública levantada pelo vereador Zé Filho Caxingó, envolvendo a disponibilidade de ambulâncias para atendimento da população de Parnaíba.

Na ocasião, em resposta a críticas sobre a ausência de uma ambulância para socorrer uma adolescente, o secretário municipal de Saúde afirmou que a cidade conta atualmente com três ambulâncias do SAMU e outras quatro ambulâncias vinculadas ao serviço social.

Segundo o gestor, quando a atual administração assumiu a rede, apenas duas ambulâncias estariam em condições de funcionamento.

A declaração tinha como objetivo descontruir a gestão anterior, a narrativa do vereador denunciante e, demonstrar um “fortalecimento” da estrutura de atendimento móvel no município. Contudo, o caso registrado nesta terça-feira não condiz com a fala do secretário.

Se as três ambulâncias do SAMU estavam ocupadas simultaneamente, qual é o plano para atender uma nova emergência de alto risco?

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Perguntas que permanecem sem resposta

A morte registrada no Conjunto Joaz Souza não pode ser analisada apenas sob a ótica de uma tragédia familiar.

Ela lança luz sobre uma discussão que interessa a todos os moradores de Parnaíba e da planície litorânea.

Um infarto, um AVC, um acidente grave ou qualquer outra ocorrência de risco iminente não escolhe hora para acontecer.

Mas o que ocorre quando todas as equipes disponíveis já estão empenhadas em outros atendimentos?

Existe uma estrutura de contingência?

Há suporte suficiente para uma cidade do porte de Parnaíba e para os municípios da região que dependem do mesmo sistema?

As ambulâncias sociais podem atuar em situações excepcionais de emergência?

Qual é o tempo médio de resposta do serviço quando toda a frota está ocupada?

São perguntas que, diante do episódio desta terça-feira, deixam de ser apenas questões administrativas e passam a representar uma preocupação concreta para milhares de famílias.

O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos das autoridades responsáveis.

Enquanto isso, permanece o sentimento de dor entre familiares e amigos da vítima.

E permanece também uma pergunta que agora pertence a toda a população:

⚠️ Se uma emergência grave acontecer neste exato momento e todas as ambulâncias estiverem ocupadas, quem poderá prestar socorro?

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Da Redação do Tribuna de Parnaíba

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