Unidade afirma que investigação está sob sigilo, enquanto denúncia aponta assédio, chantagem e possível retaliação dentro do hospital
Uma denúncia grave de assédio sexual dentro do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba, expôs não apenas a conduta de um médico da unidade, mas também levantou questionamentos sobre a postura institucional diante do caso.
A vítima, uma enfermeira da unidade, procurou a Polícia Civil do Piauí no dia 28 de março após relatar uma sequência de comportamentos abusivos por parte do profissional, que culminaram, segundo o boletim de ocorrência, em contato físico de cunho sexual durante um plantão.
De acordo com o relato, o médico teria encostado o órgão genital nas nádegas da enfermeira enquanto ela realizava atividades profissionais. Antes disso, ainda conforme a denúncia, o acusado já vinha insistindo em convites inconvenientes, todos recusados pela vítima.
⚠️ Pressão profissional e acusação de chantagem
Segundo a defesa da enfermeira, o caso não se resume ao episódio físico. A advogada relata que o médico passou a adotar uma postura de pressão durante o atendimento a um paciente, emitindo ordens que contrariavam a prescrição da médica responsável.
Ao se recusar a cumprir determinações consideradas inadequadas, a enfermeira teria sido acusada de negligência em prontuário, registro que poderia comprometer sua carreira profissional.
O cenário se agravou quando, conforme a denúncia, o médico teria condicionado a alteração desse registro a uma vantagem de cunho pessoal.
“Ele perguntou o que ela daria em troca para mudar o que escreveu no prontuário”, afirmou a advogada da vítima.
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🚨 Denúncia, abalo emocional e demissão
Após o episódio, a enfermeira registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher. O impacto foi imediato. A profissional passou a enfrentar crises de ansiedade, segundo a defesa.
Dias depois, no entanto, um novo elemento elevou ainda mais a gravidade do caso: a enfermeira foi convocada para uma reunião no hospital e acabou sendo demitida.
A decisão gerou reação imediata de sua defesa. Horas depois, após questionamentos e contato com a direção da unidade, a profissional foi readmitida.
🏥 Nota do HEDA evita comentar ponto central
Em nota oficial, o Hospital Estadual Dirceu Arcoverde informou que recebeu a denúncia e que o caso foi tratado “com prioridade desde o primeiro momento”.
A unidade afirmou ainda que a situação foi encaminhada ao Comitê de Ética, responsável pela apuração, e que todas as partes estão sendo ouvidas.
No entanto, o hospital não comentou a demissão da enfermeira, nem esclareceu se houve qualquer medida administrativa imediata em relação ao médico citado na denúncia.
A instituição também destacou que o processo corre sob sigilo e reafirmou compromisso com um ambiente “seguro, ético e respeitoso”.

🔍 Contradições e questionamentos
A ausência de respostas sobre pontos-chave levanta questionamentos relevantes:
- Se o caso foi tratado com prioridade, por que a situação teria se prolongado?
- Houve falha interna diante de denúncias anteriores?
- Por que a profissional foi demitida logo após formalizar a denúncia?
- O médico segue atuando normalmente na unidade?
Até o momento, essas perguntas seguem sem resposta oficial.
⚖️ Caso segue sob apuração
O caso agora está sob responsabilidade do Comitê de Ética do HEDA e das autoridades policiais.
Enquanto isso, a denúncia acende um alerta sobre a segurança de profissionais de saúde dentro do ambiente hospitalar e a necessidade de protocolos eficazes para lidar com situações de assédio.
📢 A Tribuna segue acompanhando
A reportagem da Tribuna de Parnaíba continuará acompanhando o caso e buscará novos posicionamentos das autoridades competentes, incluindo a direção do hospital e órgãos de controle.
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Da Redação do Tribuna de Parnaíba
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