O que está acontecendo no CAPS II de Parnaíba?

por Bruno Santana

Mais de 100 pacientes estão sem atendimento no CAPS II de Parnaíba após fim dos contratos de psicólogos. Pacientes relatam retorno de sintomas depressivos e crises de ansiedade devido a interrupção do tratamento.

A denúncia foi feita ao portal Tribuna de Parnaíba nesta terça-feira (13), por um usuário do CAPS II, localizado no bairro Dirceu Arcoverde, em Parnaíba. Segundo o relato, o trabalho de grupos terapêuticos foram suspensos em razão do encerramento dos contratos dos profissionais psicólogos, ocorrido em 31 de dezembro de 2025, sem que houvesse renovação ou contratação de substitutos.

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A apuração da reportagem confirma que quatro grupos terapêuticos estão atualmente suspensos. Cada grupo atende, em média, 25 pacientes, o que eleva o número de pessoas diretamente afetadas para mais de 100 usuários desassistidos.

Os grupos terapêuticos são parte estruturante do tratamento oferecido pelo CAPS II, que atende pacientes com transtornos mentais severos e persistentes, conforme diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental.

A ausência dessa rotina terapêutica gera suspeita de prejuízo clínico, uma vez que os relatos apontam para o surgimento de crises de ansiedade, agravamento de sintomas depressivos e isolamento social.

Contratos encerrados e ausência de providências

De acordo com as informações apuradas, os profissionais que conduziam os grupos acompanhavam os pacientes há mais de quatro anos, o que reforça a importância do vínculo terapêutico interrompido. O encerramento dos contratos no último dia do ano, sem planejamento público para garantir a continuidade do serviço, levanta questionamentos sobre a gestão administrativa da unidade e da Secretaria Municipal de Saúde.

Até o momento, não há previsão oficial de renovação contratual ou de novo processo de contratação, o que mantém os usuários em situação de vulnerabilidade e insegurança quanto à continuidade do tratamento.

Por pura ironia (ou descaso), a situação se agrava por ocorrer durante o Janeiro Branco, mês nacional de conscientização sobre a saúde mental, o que evidencia um descompasso entre o discurso institucional e a prática administrativa.

Responsabilidades institucionais e o que precisa ser esclarecido

Cabe à Secretaria Municipal de Saúde de Parnaíba e à direção do CAPS II esclarecer:

  • Por que os contratos foram encerrados sem planejamento de substituição;

  • Se houve falha administrativa, orçamentária ou contratual;

  • Quais medidas emergenciais estão sendo adotadas para evitar danos aos pacientes;

  • Quando os grupos terapêuticos serão retomados.

A interrupção prolongada desse serviço pode configurar violação ao princípio da continuidade do cuidado no SUS, além de gerar impactos diretos na saúde e na dignidade dos usuários.

⚠️ A Tribuna de Parnaíba seguirá acompanhando o caso e cobrando respostas oficiais das autoridades responsáveis. 🧠

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Da Redação do Tribuna de Parnaíba

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