Denúncia aponta que prejuízo do FUNDEF pode ultrapassar R$ 30 milhões em Parnaíba

por Tribuna de Parnaíba

Vereador alerta que modelo proposto pelo prefeito de Parnaíba, Francisco Emanuel, pode gerar prejuízo milionário a professores. Cálculo do rateio do FUNDEF pode causar perdas acumuladas aos profissionais da educação.

O impasse em torno do uso de recursos do precatório do FUNDEF, dinheiro que deveria fortalecer a educação pública e valorizar professores, ganhou um novo e mais grave capítulo em Parnaíba. Uma denúncia feita pelo vereador David Soares, por meio de vídeo publicado neste fim de semana, aponta que o prejuízo aos profissionais do magistério pode ultrapassar a casa dos R$ 30 milhões, caso o Projeto de Lei enviado pelo Executivo à Câmara seja mantido nos moldes atuais.

Segundo o parlamentar, o texto do projeto não condiz nem com o acordo firmado pelo Município na Justiça Federal, nem com declarações públicas já feitas pelo próprio prefeito sobre o tema.


📌 Projeto diverge de acordo judicial

De acordo com o vereador, o Município de Parnaíba firmou um acordo judicial com a União Federal comprometendo-se a destinar no mínimo 60% do valor total do crédito do FUNDEF aos profissionais do magistério.

Esse valor total, conforme já apontado em documentos oficiais, corresponde à soma do valor principal e dos juros do precatório, que chega a cerca de R$ 38 milhões apenas na primeira parcela.

No entanto, o Projeto de Lei enviado à Câmara:

⚠️ Aplica os 60% somente sobre o valor principal, de aproximadamente R$ 19 milhões;

⚠️ Exclui os juros do cálculo do rateio com os professores.

Segundo o vereador, essa diferenciação não está prevista no acordo judicial e levanta questionamentos legais e constitucionais, já que o compromisso firmado seria sobre o montante total do crédito.


💰 Prejuízo imediato e efeito acumulado

Com base nessa metodologia adotada no projeto, David Soares afirma que:

  • Os professores teriam um prejuízo estimado em cerca de R$ 11 milhões já na primeira parcela do precatório;

  • Considerando que o pagamento ocorre em parcelas, o impacto financeiro pode superar R$ 30 milhões ao final da terceira parcela.

O vereador alerta que, se confirmados esses números, o modelo proposto pode configurar prejuízo direto aos profissionais da educação, além de potencial descumprimento de obrigações assumidas judicialmente pelo município.

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⚖️ Divergência entre discurso e texto legal

Outro ponto levantado na denúncia é uma inconsistência entre o discurso público do prefeito e o conteúdo do Projeto de Lei.

Segundo David Soares:

  • O prefeito afirmou que o abono de 15,52% destinado aos profissionais que atuam atualmente sairia dos juros do precatório;

  • No entanto, no texto do projeto, esse percentual incide sobre o valor principal, e não sobre os juros.

🔍 Essa divergência gera suspeita e reforça a necessidade de esclarecimentos públicos sobre:

  • A base real de cálculo dos abonos;

  • A destinação exata dos recursos;

  • A compatibilidade do projeto com o acordo judicial firmado.


🏛️ Propostas e pontos que seguem sem resposta

O vereador defende como alternativa:

  • Elevar para 20% o abono destinado aos profissionais da educação que atuam atualmente;

  • Garantir que tanto os 60% dos profissionais da época quanto os 20% dos atuais sejam calculados sobre o valor total do precatório (principal + juros).

📢 Até o momento:

  • Não há manifestação oficial da Prefeitura de Parnaíba sobre os novos questionamentos;

  • Não foi apresentado, publicamente, o inteiro teor do acordo judicial firmado com a União;

  • Também não houve esclarecimento sobre como o município pretende evitar possíveis questionamentos no Tribunal de Contas ou no Judiciário.


🔎 O que ainda precisa ser esclarecido

  • Qual é o valor exato do crédito do FUNDEF considerado no acordo judicial?

  • Por que o Projeto de Lei não aplica os 60% sobre o total recebido?

  • Há risco de o município descumprir decisão judicial?

  • Qual será o impacto financeiro real para os professores ao final de todas as parcelas?

O Tribuna de Parnaíba segue acompanhando o caso, por entender que se trata de recursos públicos da educação, com impacto direto na vida de milhares de profissionais e na credibilidade da gestão pública municipal.

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Da Redação do Tribuna de Parnaíba

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