Cruz retirada pela prefeitura retorna à Pedra do Sal após pressão social e mobilização religiosa. Símbolo da fé dos pescadores volta ao local quatro dias após decisão administrativa da prefeitura de Parnaíba gerar repercussão nacional.
A fé, a tradição e a identidade de quem vive do mar voltaram a ocupar espaço na rotina da Pedra do Sal. Na noite desta segunda-feira (19), o cruzeiro histórico da praia foi recolocado no mesmo ponto onde, por décadas, serviu como referência espiritual para pescadores e moradores.
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A cruz havia sido retirada quatro dias antes por ação da Prefeitura de Parnaíba, com uso de motosserra, gerando impacto direto na comunidade local e forte repercussão social.

O cruzeiro não era apenas um símbolo religioso. Para os pescadores da Pedra do Sal, ele fazia parte do cotidiano: antes de sair para o mar, muitos faziam orações no local; ao retornar, a parada era quase obrigatória para agradecimento pela vida e pela pesca. A retirada abrupta do monumento rompeu uma tradição iniciada ainda na década de 1970, segundo relatos da própria Igreja Católica.

Para muitos pescadores da Pedra do Sal o local é parada quase obrigatória para agradecimento pelo retorno do mar e pela pesca.

No final da tarde desta terça-feira (20) a cruz foi benzida em uma cerimônia religiosa simples, realizada no próprio local. A bênção foi conduzida pelo padre Edcarlos, responsável pela área pastoral de Santa Isabel, que destacou o valor histórico e comunitário da cruz para a população que vive da pesca e do turismo local.

Padre Edcarlos, responsável pela área pastoral de Santa Isabel
O ato reuniu fiéis e moradores, que acompanharam em silêncio e oração o retorno do cruzeiro às pedras da praia.
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A retirada da cruz teve origem em decisão administrativa da Prefeitura de Parnaíba. Após a forte reação popular e a repercussão do caso fora do estado, o prefeito Francisco Emanuel anunciou a exoneração do superintendente de Turismo, Valdecir Galvão, atribuindo a ele a responsabilidade pela remoção do cruzeiro. O ex-gestor, no entanto, nega ter ordenado ou autorizado a retirada e afirma, em áudio que circula nas redes sociais, que irá apresentar sua versão dos fatos em momento oportuno. Veja: Editorial: Silêncio e contradições corroem a credibilidade da gestão Francisco Emanuel

Até o momento, não houve divulgação oficial de laudos técnicos, notificações formais ou estudos que justificassem a retirada imediata do monumento, tampouco esclarecimento público sobre quais normas ou decisões administrativas fundamentaram a ação. A ausência dessas informações segue sendo um ponto de questionamento por parte da população.

Com a cruz novamente instalada, o episódio deixa como marca um alerta sobre decisões administrativas que impactam diretamente tradições culturais e religiosas da planície litorânea, especialmente em comunidades onde fé, trabalho e território caminham juntos.
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⛪ Alerta à população: qualquer intervenção em símbolos históricos ou religiosos em espaços públicos deve seguir critérios legais, transparência e diálogo com a comunidade afetada.
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Da Redação do Tribuna de Parnaíba
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